Coordenação do Nossa Itaquera na Reunião do Plano de Metas da Zona Leste

Coordenação do Nossa Itaquera na Reunião do Plano de Metas da Zona Leste
Ativistas do Nossa Itaquera

domingo, 21 de outubro de 2012

PROJETO ZONA LESTE CIDADÃ: CURSO ESCOLA QUE PROTEGE E "OS JOVENS TRANSFORMANDO A REALIDADE"


             Professor Marcos Cézar de Freitas no Curso Escola que Protege realizado no CEU Azul da Cor do Mar

PROJETO ZONA LESTE CIDADÃ: CURSO ESCOLA QUE PROTEGE E “OS JOVENS TRANSFORMANDO A REALIDADE”

 
Neste sábado, dia 20 de  Outubro, no horário da manhã, ocorreu novo Encontro do Curso Escola que Protege, no CEU Azul da Cor do Mar, em Itaquera. Neste Encontro que constitui resultado de parceria realizada entre a Diretoria de Ensino Leste 3, a UNIFESP (Guarulhos), o Movimento Nossa Itaquera e o Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, o professor Marcos Cezar de Freitas, da UNIFESP, aprofundou a discussão dos conceitos que poderão embasar a pesquisa que os educadores promoverão na região. Discorreu-se, por exemplo, sobre os conceito  de “Estoques de Amenidades” que também devem ser observados nas pesquisas que pretenderem um real “mergulho” nas comunidades pesquisadas. Discutiu-se, ainda, o conceito de “processo de escuta ativa”, postura importante do pesquisador que pretenda conhecer, e não apenas “reconhecer” uma comunidade. Informou-se, ainda, sobre as possibilidades de trabalho com o L.E.V.I., Laboratório de Estudos de Vulnerabilidade Infanto Juvenil.

 
A CONSTITUIÇÃO DOS GRUPOS DE PESQUISA E A FORMAÇÃO CIDADÃ PARA JOVENS DAS COMUNIDADES

 
Informou-se, ainda sobre o início do Projeto “Jovens Transformando a Realidade”, realizado em parceria entre a UniSol e a UNICASTELO, que pretende formar, nos próximos meses, 40 jovens em uma projeto de Formação Cidadã que iniciará, realizado em forma de oficinas, das quais a primeira programada será a “Oficina de Produção de Curtas Metragens”. Estas oficinas acontecerão aos sábados à tarde, quinzenalmente, na UNICASTELO. Foram convidados, para esta primeira oficina,  jovens das comunidades ligadas ao Movimento Nossa Itaquera e Comunidades Unidas da Zona Leste, bem como alunos do Ensino Médio das Escolas participantes do Curso Escola que Protege. Uma das metas é a de que estes grupos de alunos produzam material áudio-visual sobre suas comunidades.



Professora Leda, da EE Profª Carmelinda Marques, com Coordenação do Projeto (Walter, da Leste 3 e Estefânia, do Movimento Nossa Itaquera)

Outra meta é a de que os professores destas escolas envolvidas produzam estudos, textos, artigos resumindo os resultados de pesquisas sobre a região, para fins de publicação. O projeto deverá ter seu lançamento feito, oficialmente, no dia 30 de Outubro, num evento para o qual serão convidados, além dos jovens inscritos, seus responsáveis, educadores e gestores das escolas envolvidas.

sábado, 20 de outubro de 2012

VILA DA PAZ, EM ITAQUERA, DISCUTE PLANO CONTRA REMOÇÃO

 
 
VILA DA PAZ, EM ITAQUERA, DISCUTE PLANO CONTRA REMOÇÃO


Na tarde deste sábado, dia 20 de  Outubro, moradores da  Vila da Paz, em Itaquera, estiveram reunidos para a elaboração de um plano para a permanência da Comunidade, ameaçada de remoção em virtude do Projeto do Parque Linear Rio Verde. Mesmo debaixo de chuva, os moradores, precariamente protegidos por lona improvisada que tinha acabado de ser usada pela igreja local em festa para as crianças, puderam conversar sobre suas idéias em relação à permanência ou saída desta comunidade que fica situada a menos de um quilômetro do Estádio que servirá para a Abertura da Copa de 2014.

            Arquiteto Caio, do Peabirus, apresenta Mapa para intervenção dos moradores

Entre os presentes predominou a defesa da permanência no local, com a urbanização, saneamento, regularização da energia elétrica e legalização da posse. Sendo inevitável a saída, os moradores afirmaram que não aceitarão coisas como bolsa-aluguel, ou  “auxílio-despejo”, como é conhecida a infame quantia de R$ 300,00 normalmente oferecida nestes casos. Defendem a permanência em casas nas proximidades das atuais moradias, no mesmo bairro de Itaquera.



No começo da reunião, uma das atividades que mais interessaram os moradores foi a identificação em mapa trazido pela equipe do Instituto Peabiru, das moradias de cada pessoa presente e dos pontos que constituem referência local, os comércios, igreja, ruas, etc.





A reunião foi acompanhada por militantes do Comunidades Unidas da Zona Leste e do Movimento Nossa Itaquera. A discussão e a caminhada pela Comunidade foi ainda registrada por equipe de pesquisadores holandeses que filmaram as ações e conversaram com as pessoas da Vila e militantes.







Feito o exercício do mapeamento, foram percorridos os caminhos da comunidade, para reconhecimento das áreas indicadas pelos moradores. No final, foi marcado novo encontro para o dia 3 de Novembro, ás 14 horas.
 
 
 
     Sr. Pedro, família na primeira foto conversam com pesquisadora holandesa e na foto de baixo com militantes do Instituto Peabirus, Instituto Polis e equipe de pesquisa holandês.

sábado, 13 de outubro de 2012

FESTA DAS CRIANÇAS NA VILA DA PAZ EM ITAQUERA



FESTA DAS CRIANÇAS NA VILA DA PAZ EM ITAQUERA

 
A tarde deste sábado, dia 13 de outubro, foi de muitas  brincadeiras e diversão para as crianças da Comunidade da Paz, em Itaquera. A Juventude do Carmo compareceu com seus integrantes caracterizados de alegres palhaços trazendo muitos brinquedos e doces para a garotada que logo se juntou aos artistas.
 
 
 
 
Foram realizadas brincadeiras de roda, danças, pinturas de rosto com as crianças que foram muito receptivas com os visitantes. Também colaboram estudantes do Diretório Acadêmico do Curso de Educação Física da USP.


 
 
 
Enquanto os jovens artistas da Juventude do Carmo e alunos da USP, animavam  a criançada, ativistas do Comunidades Unidas da Zona Leste reuniram os moradores adultos da Comunidade para uma reunião com o arquiteto Caio, do Instituto Peabiru, que apresentou a proposta de elaboração de um projeto alternativo ao Parque Linear Rio Verde, que pela sugestão atual da Prefeitura de São Paulo provocará a remoção de milhares de famílias do local.
 

 
 
 
Relatou-se as várias tentativas feitas para a obtenção, junto à Subprefeitura de Itaquera e Secretaria Municipal de Habitação, de informações oficiais sobre os projetos que podem provocar as temidas remoções, com seus respectivos cronogramas. Nesta última secretaria, por exemplo, duas reuniões agendadas previamente, para este fim, foram desmarcadas sem maiores satisfações.


 

Concordou-se, por fim, em manter a proposta, aprovada na última reunião do Coletivo “Comunidades Unidas”  com a Comissão de Moradores da Vila da Paz, de manter uma mobilização permanente com reuniões todos os finais de semana até uma definição melhor do quadro. Desta maneira, no próximo sábado, dia 20 de outubro, haverá outra reunião às 14 horas para dar prosseguimento à elaboração do Projeto da Comunidade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A VILA DA PAZ, EM ITAQUERA, RESISTE




A VILA DA PAZ, EM ITAQUERA, RESISTE


Neste último sábado, dia 6 de outubro, a Comissão de Mobilização da Vila Paz esteve reunida com militantes do coletivo Comunidades Unidas da Zona Leste para tratar das estratégias para enfrentar a situação de ameaças e incertezas que ainda persistem na região desde que ganharam força, em decorrência da próxima abertura da Copa de 2104, em Itaquera, os projetos que podem promover a remoção de milhares de famílias do local.

Coordenada pelo companheiro Tonhão, do Comunidades Unidas e Unidade Classista, a reunião foi aberta pelo informe trazido pelo Advogado Paulo Romeiro, do Instituto Polis,  dos contatos feitos com arquitetos sobre a proposta feita pela Comissão de Mobilização da Vila da Paz, de que a Comunidade tivesse uma proposta alternativa ao Projeto oficial do Parque Linear Rio Verde. Em seguida, dois destes arquitetos, Caio e Nunes, do Peabiru,  apresentaram a proposta para a elaboração, em  conjunto com os moradores, desta proposta que servirá para a luta política da população que teme uma investida mais violenta após o período eleitoral.


 
Outro tema tratado na reunião, pelas Assistentes Sociais Talita e Patrícia, foi do levantamento que estas tinham iniciado, junto com outras voluntárias ligadas ao Comunidades Unidas, Suellen e Michelle, das condições socioeconômicas das famílias residentes na Vila da Paz. Este levantamento que permitiu a identificação de muitos casos de crianças sem creche e fora da escola já tinha resultado no encaminhamento e retorno de algumas crianças e adolescentes, da Comunidade, ao Ensino Público.

 
 
Estiveram ainda presentes diversos estudantes de cursos de Ciências Sociais e Educação Física da USP que trouxeram solidariedade ao movimento dos moradores e ofereceram apoio para as várias ações de mobilização que foram programadas. Combinou-se a presença, por exemplo, destes estudantes, nos próximos “Arrastões Culturais” que serão promovidos no local, já estando marcada para o dia 13 de outubro (sábado), às 14 horas, uma atividade recreativa e cultural com as crianças na quadra localizada no centro da Comunidade.

Também presentes, vários artistas ligados ao grupo Parlendas se dispuseram a realizar ações culturais na região. Em nome do Grupo Parlendas, Natália falou da possibilidade da formação de grupos de teatro, com crianças e jovens da Comunidade.

Natália, do Parlendas, e Juliana, do Comitê Popular da Copa, que também secretariou a reunião, deram ainda informes das agendas do Movimento de Moradia da Cidade e das ações que estão sendo organizadas para pressionar o andamento da CPI dos Incêndios nas Favelas.



Sobre este tema da luta contra os incêndios criminosos, também falou o Senhor Pedro, morador da Vila da Paz, que junto com outros líderes da Comunidade, estiveram na reunião realizada na Ocupação Mauá, que tratou desta questão. O senhor Pedro também falou  sobre a ida, no dia anterior, de comissão de moradores, na Secretaria Municipal de Habitação, para fins de obtenção de informações oficiais sobre a ameaça de remoção e eventual existência de projetos de moradia para acomodação das famílias que serão retiradas. Informou que a Comissão não foi recebida, mas retornará na semana seguinte para nova tentativa de obter alguma informação.


Por fim, foi aprovada a proposta de que as informações que fossem obtidas nestas idas à Secretaria da Habitação seriam discutidas não apenas na Vila da Paz, mas também seriam levadas para as demais comunidades ameaçadas.



Parte da reunião foi registrada por equipe da reportagem da TV T que está realizando matéria sobre algumas comunidades de São Paulo que sofrem o mesmo tipo de violências (remoção e incêndios suspeitos de serem criminosos).

domingo, 23 de setembro de 2012

REUNIÃO DAS COMUNIDADES INCENDIADAS NA OCUPAÇÃO MAUÁ


 
                     Na parede da Ocupação Mauá a frase: Quem não Luta, Tá Morto

REUNIÃO DAS COMUNIDADES INCENDIADAS NA OCUPAÇÃO MAUÁ

Na tarde deste último sábado, dia 22 de Setembro, foi realizada uma plenária, na Ocupação Mauá, com moradores de Comunidades que sofreram incêndios nos últimos meses. Também estiveram presentes vários coletivos que apóiam a luta dos moradores contra as ameaças que consistem estes incêndios, mais do que suspeitos, que atingem as mesmas áreas que interessam ao Capital ligado à especulação imobiliária. A reunião foi aberta pelo companheiro Dito, da CMP, pela Luna, uma das idealizadoras do Encontro e pelo Nelson Chê, que deu boas vindas em nome dos moradores da Ocupação.
 
                     Sr. Pedro, da Comunidade da Paz, dá entrevista para Jornal "A Verdade"
 
Foram dados informes sobre a resistência da população da Comunidade do Moinho, que além de ter sofrido novo incêndio teve que enfrentar ainda a repressão policial que tentou impedir o retorno das famílias às regiões de suas antigas casas destruídas. Foi discutida uma estratégia de mobilização para pressionar o Legislativo Municipal a desenterrar a CPI dos Incêndios que está caminhando a passos de tartaruga na Câmara, onde a atual Administração possui maioria. Presente no encontro, Gegê, militante histórico do Movimento de Moradia do Centro relembrou que a prática de incêndios criminosos é uma antiga “solução” adotada nesta cidade desde que iniciou no movimento, faz cerca de trinta anos, período em que viu várias comunidades sendo incendiadas, com a população sendo jogada nas ruas. Pelo visto, a prática antiga retornou com mais intensidade. Não tendo sido investido, pelo Poder Público, recursos para garantir habitação popular para os que são obrigados a viver em moradias precárias, os incêndios acabam surgindo como “solução”.
 
 
 
Um dos organizadores do Encontro, o companheiro Dito, da Central dos Movimentos Populares informou sobre a agenda de mobilização até o final do ano dos Comitês Populares da Copa e foi estabelecida uma agenda comum das organizações presentes. Presentes também os moradores da Comunidade da Paz, de Itaquera, o Senhor Pedro e o Cícero que relatou as condições desta comunidade que, além de sofrer a ameaça de remoção, em virtude do Projeto do Parque Linear Rio Verde, também sofreu incêndio que provocou a morte de um morador, após a comunidade ser obrigada a utilizar vela para iluminação das casas, com o corte da ligação elétrica feita pela Eletropaulo. Os moradores desde então, estão se organizando.  Como lembrava a frase pintada na parede da Ocupação Mauá, “Quem não Luta, Ta morto”.
 
 
 
   Gegê e Nelson Chê, na Ocupação Mauá

sábado, 15 de setembro de 2012

A OCUPAÇÃO CULTURAL DO DOLORES E A FEST FINAL NA PRAÇA DO ELEFANTE VERMELHO



 
 
 
A Ocupação Cultural do Dolores e a Festa Final na Praça do Elefante Vermelho

Salve Zona Leste. Este era o refrão cantado pelo povo que lotou a praça ao lado do Metrô Artur Alvin, acompanhando a apresentação do grupo musical Nhocuné Soul. A canção foi uma das composições utilizadas na peça “A Saga do Menino Diamante – Uma Ópera Periférica”, que teve temporada concluída recentemente, após atrair algumas milhares de pessoas da cidade inteira, no espetáculo realizado em terreno no Bairro da Patriarca.
 
 
 
Agora, o mesmo grupo “Dolores” concluía outra “saga”, ocupando por duas semanas, com teatro, música, dança e debates, esta praça distante cerca de quinhentos metros da área em que está sendo construída a arena do Corinthians, para a abertura da Copa de 2014. E nestes últimos dias o povo chegou junto. De diversos cantos da Zona Leste, e mesmo de outras regiões, vieram militantes, artistas, estudantes, trabalhadores identificados com a proposta política e artística deste grupo que deu fortes recados ao programar, para o penúltimo dia, a discussão levada pelos grupos de Guaianases ligados à “Sexta Socialista” que debateram sobre a ação da Ocupação na perspectiva da Cultura. Foi muito legal presenciar a rapaziada de Guaianases, na noite desta última sexta-feira, engrossando a ocupação desta Praça em Artur Alvin, com as ricas discussões que caracterizam estes coletivos.

                              Foto exibida no site do Dolores

Já neste sábado, último dia da Ocupação, a Celebração encerrada pela música do Nhocuné Soul, teve ainda a presença do Unidos do Lona Preta...
 
 
 
 
 
...e a inauguração de um interessante monumento que pode provocar a mudança no nome da Praça. Desconhecemos o nome atual do local, mas para aqueles e aquelas que estiveram nesta ação a Praça foi rebatizada como Praça do Elefante Vermelho. Uma primeira impressão de que o elefante está com a pata levantada,  pelo medo do cerco dos ratos, é afastada com a leitura da placa da obra que associa a imagem do elefante com a do povo que, um dia, pode reconhecer sua força, esmagando os ratos que, hoje, fazem a festa. E para não deixar dúvida desta proposta, ta lá, bem visível, o símbolo que representou, e representa, a união da classe trabalhadora. A velha e querida foice e seu companheiro martelo estão de volta.
 
 
 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A OCUPAÇÃO CULTURAL DO COLETIVO DOLORES E O FESTIVAL TEATRO MUTIRÃO





A OCUPAÇÃO CULTURAL  DO COLETIVO DOLORES E O FESTIVAL TEATRO MUTIRÃO


Uma das vantagens de meu trabalho como Supervisor Escolar é que entre uma escola e outra que visito,  como  parte de minhas funções profissionais, vejo, no caminho,  o que acontece nas ruas. Meu posto de trabalho, a Diretoria Regional de Educação de Itaquera, fica perto de Artur Alvin. E como a maior parte das escolas que supervisiono fica localizada no Conjunto José Bonifácio, o  caminho que mais utilizo para chegar nestas escolas é o da Avenida Radial Leste, que pego na altura da Estação de Metrô Artur Alvin. É é lá que desde o dia 1 de setembro tenho acompanhado, nestas passagens com meu carro, a transformação de uma praça em  território de Ocupação Cultural,. Esta Ocupação está sendo realizada pelo Coletivo Dolores. Integra este Coletivo, o Grupo de Teatro “Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes”, que organizou, no início do mês de agosto, passado, outra temporada da “Saga do Menino Diamante”, em espaço localizado perto da Estação Patriarca, também na Zona Leste.
 

 

E qualquer um que tenha assistido uma das encenações desta peça do “Dolores” não fica indiferente à ação de seus jovens atores. O processo da construção da “Saga”, o resultado, toda a energia das apresentações que atrai centenas de outros jovens da cidade toda, certamente não ficaria nos limites institucionais conhecidos. Para os que estão acostumados com a rebeldia consentida e subvencionada dos grupos que vivem dos projetos oficiais e seus minguados recursos, poderia causar surpresa uma ação, a da Ocupação, cuja radicalidade  melhor corresponde às análises presentes em suas peças. Mas teatro é teatro. E trabalha com símbolos. A escolha do lugar da Ocupação está carregada de símbolos, alguns bem explorados na “Saga do Menino Diamante”. Neste sentido, a proximidade do terreno em que está sendo construído o futuro Estádio do Corinthians, para a Abertura da Copa de 2014, traz muitos elementos para comparações de projetos, políticos, sociais e culturais, bastante distintos.

 

Bom exemplo de polissemia, por dar margem a múltiplos significados, o estádio em construção tanto simboliza o poder do grande Capital e seus vários recursos midiáticos, como também representa a paixão de milhões de torcedores descapitalizados. E além de tudo o que significa os símbolos, a história e, em especial, o cotidiano da maior parte desta torcida, a própria construção, em si, constitui um  poderoso signo do trabalho humano. Aquelas centenas de operários,  num trabalho ininterrupto, impressionam. Os gigantescos guindastes e os tratores abrindo ruas, da noite para o dia. É um espetáculo  que fascina. Em qualquer hora do dia é possível encontrar curiosos com câmaras amadoras e celulares registrando cada fase da construção.

Pois bem, foi ali, perto do futuro grande estádio, que foram colocadas as tendas na Praça ocupada pelo grupo “Dolores”, de Teatro. E como são maravilhosamente atrevidos estes jovens com suas tendas. Passei hoje de carro, quando ia para uma visita de rotina a uma turma de Mova (Movimento de Alfabetização de Adultos), em frente ao acampamento do “Dolores”.  O sol já estava forte e os jovens atores do “Dolores” estavam  lá, em círculo, numa reunião pública, na praça. Não podia, mas tive muita vontade de parar e confraternizar com aquela garotada. Emocionante aquela ocupação. Aqueles jovens sabem muito bem o que estão fazendo e o que representa aquela ação. Estão fazendo história.



Se no espetáculo da “Saga do Menino Diamante – Uma Ópera Periférica”, temos a reflexão sobre vários temas de nossa história, remota e recente, com destaque para o fenômeno atual, e recorrente, da expulsão das comunidades pobres pelas grandes obras viárias (e interesses dos especuladores) , agora, neste pedaço da Zona Leste, várias comunidades estão ameaçadas de “desaparecer”. As questões trazidas pelo “Dolores” são, portanto, bem atuais. Estão bem sintonizadas quanto ao tempo e quanto ao espaço em que atuam. Como diz o refrão de uma das músicas tocadas na peça, “Salve, Zona Leste”.

 

 

Informação Contida no site do Dolores:

 

“O Coletivo Dolores está propondo uma ocupação político – artística numa praça ao lado do metrô Artur Alvin (linha vermelha). Serão 15 dias de ocupação e atividades de formação, apresentações de peças teatrais e apresentações musicais e um trabalho para montar um monumento na praça. Para isso conta com a participação de diversos grupos parceiros que preencherão de bons espetáculos nossas tardes e noite começando dia 1 e terminando no dia 15 de setembro.